Com Temasek, Burger King reforça expansão

O Temasek, fundo soberano de Cingapura, investiu US$ 100 milhões para ficar com 20,5% da BK Brasil, que controla as lanchonetes Burger King no país. Com a chegada do novo sócio, a gestora de recursos Vinci Partners continua no controle da BK Brasil, mas sua fatia foi diluída de 75% para 59,6%. E a rede americana teve sua participação reduzida de 25% para 19,9%.

“Chegamos a um estágio do negócio em que deveremos entrar numa próxima onda de crescimento. Para isso, precisávamos de uma nova capitalização”, diz Alessandro Horta, sócio da Vinci.

A gestora comanda a operação no Brasil desde julho de 2011, quando fechou a parceria com a 3G, dos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, e dona do Burger King. A 3G optou por escolher gestores locais para os negócios, um modelo que foi iniciado na operação brasileira.

Por aqui, o plano era agressivo e previa elevar o número de restaurantes dos 140, à época, para mil, em até seis anos. Pouco mais de três anos depois, o Burger King fechou novembro com 500 lojas no país. Novas unidades ainda serão abertas em dezembro, e a expectativa é de fechar 2014 com 100 a 110 novas lanchonetes, mantendo esse ritmo em 2015. “Apesar do desaquecimento econômico, esse segmento é resiliente, pois o produto não é tão atrelado a fatores macroeconômicos”, diz Horta, ressaltando que a rede tem conseguido apurar crescimento nas vendas “mesmas lojas” (critério que compara o desempenho de unidades abertas há pelo menos um ano) e fazer todas essas inaugurações, mesmo nesse cenário mais fraco.

Para Carlos Eduardo Martins, também sócio da Vinci, a economia mais desaquecida traz oportunidades, por exemplo, na área de “real estate”. “Em um cenário como esse é possível negociar melhor valores dos imóveis que abrigam as lojas”, diz.

A parceria com o Temasek saiu, dizem os sócios da Vinci, por conta do perfil parecido das duas casas, que têm visão de longo prazo. O fundo de Cingapura pode elevar sua fatia para até 35% no futuro.

Os planos continuam de expandir e consolidar a marca Burger King no Brasil. A chegada da Vinci para o negócio, com a criação da BK, uma joint-venture que funciona como master franqueadora e também abre suas próprias lojas, desagradou antigos franqueadores. Em 2012, a BK adquiriu o maior deles, a BGK, que trouxe a marca ao país há dez anos e tinha 40 lojas. Em setembro passado, comprou o maior franqueador do Nordeste, com 22 pontos. Das 500 lojas atuais, 70% são próprias.

Segundo Horta, a BK Brasil vê elevado potencial de expansão para a rede no Nordeste, onde ainda possui presença tímida. Mas não faria sentido manter duas operações por lá. “Com a aquisição e uma operação só na região, ganhamos escala. Para nós e para o franqueado, fez sentido”, diz.

Horta afirma que a escolha pelas lojas próprias é uma forma de ganhar massa crítica nesse momento de expansão. “Quando a expansão estiver mais estabilizada, o que levará alguns anos, podemos refranquear lojas, se for o caso.”

A rede inicialmente concentrou-se no Rio e em São Paulo e agora foca maior expansão nacional. Por enquanto só não está na região Norte, onde deve entrar nos próximos dois anos.

O negócio no Brasil tem fechado com prejuízo, que rondou R$ 8 milhões em 2013 e 2012, quadro que deve se manter este ano. Já as receitas cresceram: passaram para R$ 442 milhões em 2013, com alta de 77%; e devem subir mais de 60% este ano, superando R$ 700 milhões.

“Em termos contábeis, a operação vai ter prejuízo por algum tempo. Na nossa fase de acentuada expansão há muita despesa pré-operacional e esse investimento contabilmente entra como despesa”, diz Horta. “Mas a característica do negócio é de ser altamente gerador de caixa, além de ter previsibilidade de receitas, depois de maduro”, acrescenta.

Olhando para as operações globais do Burger King, China, Brasil e Rússia, são as que mais crescem nos últimos anos. Atualmente, o público mais forte da rede no país é formado por jovens, entre 20 e 35 anos. A empresa vê espaço a conquistar entre mulheres e crianças.

Fontehttp://www.valor.com.br/empresas/3800482/com-temasek-burger-king-reforca-expansao#ixzz3KjwGgEIG

Energia eólica gira R$ 2,8 bi no Paraná

O Paraná foi o pioneiro na Região Sul, deve receber nos próximos anos investimentos estimados em R$ 2,8 bilhões, para aumentar a capacidade de produção

A expansão da energia eólica é uma das poucas coisas que parecem funcionar no setor elétrico neste momento. O negócio atrai investidores privados, que têm comparecido aos leilões da Aneel oferecendo energia.

Os 178 parques eólicos em operação têm 3,8 mil MW, 3% da capacidade do setor. A expectativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) é que de entrem, em média, outros 2 mil MW por ano no sistema até 2018. Com isso, essa fonte deve responder por 8% da oferta de energia em quatro anos.

A grande vantagem da energia eólica é que ela está aberta a um número grande de investidores. É diferente dos projetos hidrelétricos, que exigem investimento alto, dependem de um licenciamento ambiental lento e problemático, além de estarem concentrados no Norte do país.

Além disso, em tempos de pouca oferta de água, os projetos eólicos são plenamente viáveis. As eólicas têm entrado no sistema com preços pouco acima de R$ 110 por megawatt-hora (MWh), algo aceitável em um mercado que precisou pagar mais de R$ 260 por MWh no leilão de abril que fechou o buraco dos contratos das distribuidoras, entre elas a Copel.
Obstáculos

As terras são caras e a oferta de ‘combustível’ é pequena

A situação do Paraná ainda é um vento contrário para o despertar da energia eólica. O diretor-adjunto da Copel Renováveis, Edson Sardeto, lembra que o estado é pouco competitivo porque tem oferta de vento relativamente baixa. Nos leilões de energia, quem tem preços mais baixos, vence. ?Para oferecer preços baixos, é preciso ter muita oferta de vento?, diz.

Por outro lado, o engenheiro André Leandro Richter ? que participou dos estudos ambientais de usinas em Palmas ? lembra que o Paraná tem abundância de redes de transmissão de energia, o que é um gargalo em lugares como o Rio Grande do Norte.

Outra desvantagem do Paraná é que há pouca oferta de terras para a instalação das usinas. “O Paraná ocupa 2,3% do território nacional, e a fronteira agrícola está esgotada”, afirma o chefe do Departamento de Economia Rural da Secretaria Estadual de Agricultura do Paraná, Francisco Simioni. Consequentemente, o preço do hectare é alto.

Uma esperança para o setor, conforme a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo, é o fato de se poder desenvolver a agropecuária em harmonia com as usinas. “O futuro da energia eólica é virtuoso porque é uma energia limpa e renovável”, aponta.
Expansão acelerada

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), responsável pelo planejamento do setor, prevê que em média 2 mil MW de energia eólica serão acrescentados todo ano ao sistema elétrico, até 2018.

674,4 megawatts é a potência conjunta dos parques eólicos planejados para o Paraná. No Rio Grande do Sul, já estão em operação usinas com capacidade de 610 MW, e estão sendo construídos parques com capacidade de 542 MW.

A usina de Palmas, no Sul do estado, pertence à Copel e iniciou a operação em 1999, com cinco aerogeradores. Em julho, o Con­­selho Administrativo de Defe­­sa Econômica (Cade) aprovou uma joint venture entre a Copel e a Weg Equipamentos Elétricos, de Santa Catarina, para a construção de dois aerogeradores, com capacidade total de 4,2 MW, também em Palmas.

Mas há outros dois projetos, bem mais ambiciosos, em andamento. Ambos estão sendo analisados pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). O primeiro ficará em Palmas e o segundo, nos Campos Gerais.

O novo parque eólico de Palmas, idealizado por um consórcio privado, terá três usinas: Água Santa, com potência de 80,5 MW; Serra da Esperança, com 43,7 MW; e Rota das Araucárias, com 46 MW. As obras devem começar em 2015 e estão orçadas em R$ 800 milhões. O governo estadual sancionou as leis que permitem a instalação do parque, mas o projeto ainda aguarda o agendamento da audiência pública como parte do processo para obter o aval do IAP.

O maior de todos os projetos, o da construção do complexo eólico dos Campos Gerais, tem audiência prevista para 24 de setembro em Tibagi. O projeto é da empresa Taim Cade e prevê a construção de 18 usinas com 250 aerogeradores que irão gerar até 500 MW. O investimento previsto é de aproximadamente R$ 2 bilhões.

A empresa prefere aguardar a audiência para falar do empreendimento. A usina será instalada na divisa dos municípios de Castro, Tibagi e Carambeí, com acesso pela PR-340. O vice-prefeito de Castro, Marcos Bertolini, confirmou que a empresa já instalou equipamentos de monitoramento dos ventos em 2013.

Projetos estão fora dos leilões deste ano

Apesar dos investimentos previstos em parques eólicos, o Paraná não tem projetos desse tipo inscritos nos dois próximos leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com isso, os novos parques do estado devem participar de outros certames ou negociar energia no mercado livre.

O primeiro ocorre em 30 de setembro na categoria A-5 (energia a ser entregue em 2019). O governo recebeu a inscrição de 1.041 empreendimentos, dos quais 708 são eólicos. O Paraná tem sete projetos de outras categorias de geração na disputa. O segundo leilão, de energia de reserva, está agendado para 31 de outubro. De 1.034 empreendimentos inscritos, 626 são usinas eólicas. O Paraná concorre apenas com uma usina térmica.

Das usinas movidas a vento que estão na disputa dos leilões, a maioria está nas principais regiões produtoras: o litoral nordestino (Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí); o interior da Bahia e de Pernambuco; e o Rio Grande do Sul.

Para a presidente da Asso­ciação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo, é natural que as usinas se concentrem nas regiões com melhores condições de vento para que possam oferecer preços mais competitivos nos leilões. “Não significa que outros estados não possam ter usinas, mas isso é algo que demora mais um tempo”, aponta Elbia.

Ela lembra que a tecnologia dos aerogeradores está em evolução. “Antes tínhamos torres com 50 metros e hoje já temos tecnologia para torres com 125 metros?, acrescenta, complementando que assim outros estados terão mais condições de entrar no setor. São Paulo e Minas Gerais estão seguindo este caminho, segundo ela, com a confecção de mapas eólicos.

Fonte: http://www.sistemafaep.org.br/vento-gira-r-28-bi-parana.html