INVESTIDORES-ANJO NO BRASIL

A nova legislação estabelece que investidores-anjo podem fornecer recursos a start-ups brasileiras sem receber em troca participação no seu capital social.

Com a promulgação de nova legislação (mais especificamente a Instrução Normativa RFB 1719/17 combinada com a Lei Complementar 123, conforme alterada), as autoridades governamentais brasileiras enfim completaram o enquadramento jurídico no que diz respeito a (i) como os investidores-anjo podem canalizar recursos para start-ups brasileiras, e (ii) qual seria a tributação aplicável quando do retorno de seu capital.

Primeiramente gostaríamos de salientar que há alguns requisitos jurídicos e financeiros para que uma sociedade possa ser considerada uma start-up para fins da referida legislação sobre investidores-anjo, dentre os quais o fato de que tais sociedades devem ter um faturamento bruto anual máximo de R$ 4,8 milhões (aproximadamente USD 1,5 milhões/€ 1,3 milhões). Ademais, tais sociedades, para serem caracterizadas como start-up, não podem (i) ter participação societária no capital social de quaisquer sociedades personificadas ou (ii) serem constituídas sob a forma de sociedade por ações.

Em apertado resumo, a nova legislação estabelece que investidores-anjo (os quais usualmente caracterizam-se como investidores que estão mais focados em auxiliar start-upsa expandir seus negócios, ao invés de obter lucro imediato sobre a operação comercial em si) podem fornecer recursos a start-ups brasileiras sem receber em troca participação no seu capital social. Deste modo, tais investidores-anjo encontrar-se-ão protegidos de qualquer decisão judicial que pretenda desconsiderar a pessoa jurídica da sociedade para o fim de buscar, em caso de dívidas inadimplidas ou situação de insolvência, os investimentos e ativos exclusivos do próprio investidor-anjo.

Por outro lado, considerando que a legislação determina ainda que os investidores-anjo não poderão ter ingerência na administração do negócio, eles são considerados como protegidos de quaisquer efeitos falimentares ou de recuperação envolvendo a start-up brasileira (conhecidos no mercado como reorganization procedures).

Muito embora os investidores-anjo não possuirão títulos representativos do capital social da start-up local, a legislação permite que eles recebam até 50% (cinquenta por cento) dos lucros líquidos auferidos pela sociedade investida, por um período de até 5 (cinco) anos. É de bom alvitre registrar que referida participação nos lucros redundará em uma tributação na fonte que varia de 15% a 22,5%, a depender do tempo que o dinheiro do investidor permanecer no veículo local.

De qualquer maneira, é importante termos em mente que a nova legislação não proíbe as partes de regular seus interesses em investimentos locais mediante a utilização de mecanismos mais tradicionais, tais como empréstimos diretos, investimento em notas ou debêntures, ou até mesmo investimentos diretos no capital social das start-ups locais.

Fonte: http://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI264755,61044-Investidoresanjo+no+Brasil,

QUINTA STARTUP MAIS VALIOSA DO MUNDO, REDE DE COWORKING VAI INAUGURAR SEIS ESCRITÓRIOS NO BRASIL

É a primeira vez que uma grande rede de coworkings entra no país

Quinta startup mais valiosa do mundo, com valor de mercado de US$ 20 bilhões, a rede de escritórios compartilhados WeWork vai abrir até o fim do ano seis coworkings no Brasil. A primeira unidade, na Paulista, em São Paulo, foi inaugurada neste mês e grandes empresas como Porto Seguro, Grupon e Kaszek já colocaram as suas equipes para trabalhar lá. É a primeira vez que uma grande rede de coworkings entra no país, que até então tinha o mercado restritos a negócios locais, de nichos e com poucas unidades.

A unidade da Paulista foi aberta na primeira semana de julho com lotação máxima: 850 pessoas. Por enquanto, os membros estão locados em dois andares do prédio de cinco pavimentos e 10,6 mil metros quadrados. Até o fim do ano, serão reformados e inaugurados os três andares restantes e o escritório poderá comportar até 2 mil pessoas.

A WeWork vai abrir mais três escritórios em São Paulo até o fim de 2017. Em agosto será inaugurado um coworking na Avenida Faria Lima, de seis andares, e que já está com taxa de ocupação de 90%. Em novembro, será a vez do escritório na Avenida Juscelino Kubistschek e, em dezembro, a unidade Berrini, na Avenida das Nações.

A rede vai também vai abrir dois coworkings ainda neste ano no Rio de Janeiro. Eles devem ser inaugurados até dezembro e ficarão na região central da capital carioca e no bairro Botafogo. Os prédios estão em fase de reforma.

Plano de expansão

A entrada no Brasil faz parte da estratégia de expansão da companhia pela América Latina. A WeWork surgiu em 2010 em Nova York, nos Estados Unidos. Desde a sua fundação, captou US$ 4,7 bilhões, sendo US$ 760 milhões na última semana, o que a tornou a quinta startup mais valiosa do mundo, com valor de mercado de US$ 20 bilhões.

A empresa possui mais de 140 escritórios em 15 diferentes países e conta com 120 mil membros. No ano passado, a rede iniciou o plano de expansão para a América Latina – a sua atuação estava restrita à Europa, América do Norte e Ásia  – e abriu sua primeira unidade no México. Neste ano, entrou também no Brasil e Argentina e deve expandir logo para a Colômbia.

O general manager da WeWork Brasil, Lucas Mendes, afirma que o amadurecimento do mercado brasileiro de coworking e o potencial de clientes motivaram a empresa a investir no país. “No Brasil tem muita gente que quer trabalhar nesse formato, há também uma cultura empreendedora forte.”

Ele destaca, ainda, que as empresas com sede no país passaram a ver os escritórios de coworking como um possível espaço para alocar seus funcionários – seja aqueles que precisam inovar ou buscam mobilidade. No escritório da Paulista, a rede já atraiu grandes empresas como Porto Seguro e Grupon e há a perspectiva de companhias que já utilizam a WeWork fora do país, como Uber e Amazon, passarem a alocar seus funcionários nos coworkings da empresa no país.

Os escritórios da WeWork são conhecidos por serem amplos e bem localizados. Normalmente, ficam próximos a estações de metrô e nas principais avenidas das cidades. E, a partir do momento que uma pessoa passa a ser membro, ela pode usar qualquer unidade espalhada pelo mundo. O preço para locar o espaço varia de R$ 680 a R$ 1.500 por pessoa e por mês no Brasil, dependendo do modelo de mesa escolhido (compartilhada ou privativa).

Cenário brasileiro

Segundo dados do Censo Coworking Brasil, realizado pelo Movebla e CoworkingBrasil.Org, o país tinha até o ano passado 378 escritórios compartilhados e vivia um período de “boom”. Somente em 2016, o número de escritórios cresceu 52%, localizados principalmente em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. As redes, porém, eram na grande maioria empresas locais com poucas unidades e, muitas vezes, com um público-alvo de nicho.

O coordenador do Censo Coworking Brasil em 2016, Anderson Costa, acredita que a entrada da WeWork vai ajudar na maturação do mercado brasileiro e fazer com que mais empresas vejam os coworkings como uma ferramenta de conexão e inovação. “Estamos com uma carga bem alta de coworkings, mas há muito espaço para expansão porque as empresas estão percebendo que é muito difícil conseguir inovar dentro de escritórios comerciais.”

 

Fonte: : http://www.gazetadopovo.com.br/economia/nova-economia/quinta-startup-mais-valiosa-do-mundo-rede-de-coworking-vai-inaugurar-seis-escritorios-no-brasil-26ca4s54u0bnptg9zxd7ykw21

SOBE PARA R$ 10 MI O LIMITE PARA FINANCIAMENTO COLETIVO DE STARTUPS NO BRASIL

Conhecido como Equity Crowdfunding, esse tipo de investimento teve as regras alteradas pela Comissão de Valores Mobiliários nesta quinta-feira (13)

Antes, as captações eram limitadas a R$ 2,4 milhões e eram restritas a empresas que faturassem até R$ 3,6 milhões ao ano. Foto: Pixabay

 

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) divulgou nesta quinta-feira (13) regras para o financiamento coletivo a startups a partir de plataformas na internet permitindo captações de até R$ 10 milhões. Conhecido como Equity Crowdfunding, esse tipo de investimento será permitido para companhias que faturem até R$ 10 milhões ao ano.

Nos sites que realizam ofertas do tipo, investidores podem ver informações sobre startups que oferecem participação acionária em troca de investimentos feitos a partir da rede.

Em geral, as ofertas ficam no ar por tempo determinado anteriormente e com uma meta de captação para o projeto.

A ideia é que cada companhia receba recursos de dezenas de investidores para obter o valor que buscam. As plataformas ficam com um percentual do que é arrecadado na rodada de investimentos. As regras definidas pela CVM foram comemoradas pelas plataformas do setor.

Greg Kelly, cofundador da plataforma EqSeed e um dos diretores da associação que reúne empresas de equity crowdfunding, aponta que os valores máximos de faturamento permitido para esse tipo de financiamento e o limite de captação levarão a uma expansão do número de ofertas.

Antes, as captações eram limitadas a R$ 2,4 milhões e eram restritas a empresas que faturassem até R$ 3,6 milhões ao ano. A EqSeed começou a realizar captações em 2016. Foram 4 no ano passado e a companhia espera realizar 12 neste ano.

Como se dará a aprovação

Também houve uma redução dos procedimentos e autorizações necessárias para incluir uma oferta no ar.

Para poder oferecer esse tipo de investimento, as plataformas virtuais onde eles serão feitos passarão por processo de credenciamento da CVM.

Após aprovação, ficam responsáveis por definir quais companhias irão incluir em suas plataformas e por manter uma comunicação aos investidores completa e neutra. Antes, todas as ofertas eram comunicadas antecipadamente a CVM, que deveria autorizá-las antes de irem ao ar, o que tornava o processo mais lento, diz Kelly.

Em nota, a CVM afirmou que o modelo pode alavancar a criação de novos negócios de sucesso no país, permitindo a captação de recursos de modo ágil, simplificado e com amplo alcance a investidores por meio do uso da internet.

Além da EqSeed, empresas como Broota e StartMeUp oferecem investimentos a partir do modelo de equity crowdfunding.

 

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/sobe-para-r-10-mi-o-limite-para-financiamento-coletivo-de-startups-no-brasil-e5b2fore2xjk50t90swgbtfdm

A HISTÓRIA POUCO CONHECIDA DAS STARTUPS QUE DERAM ERRADO

As histórias pouco conhecidas de empreendimentos que surfaram na onda dos novos negóciosna internet, mas que deram errado

O empreendedor Bruno Medeiros transformou os erros cometidos com a startup Compra3 no coração do novo negócio , a Lake Tahoe . E está dando certo. Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

 

Em 2008 Bruno Medeiros estava na crista da onda. A imprensa dizia coisas tipo “uma empresa que pode ser chamada de startup” sobre o Compra3, que ele tinha criado dois anos antes. Era um elogio, embora ninguém soubesse muito bem o que era uma startup. O importante é que a plataforma valia R$ 20 milhões, e a poderosa Editora Abril estava com o cheque na mão para comprar o negócio. Bruno já estava de malas feitas para morar em São Paulo. Ele não sabia que tinha surfado cedo demais.

A empolgação tinha sentido. O negócio, algo como um site de compras coletivas em que o usuário não precisava de um coletivo, era totalmente inovador. Além disso, o Compra3 era vinculado às redes sociais (o site foi criado logo depois que os brasileiros invadiram o Orkut). Além da grana, a Abril ia entrar com 17 milhões de usuários. Era o necessário para catapultar o faturamento.

A crise bateu à porta, e a Abril desistiu do negócio. Bruno, não. Partiu com seu sócio para o Vale do Silício. “Brazilian startup Compra3 launches group buying site”, noticiou um site gringo, que comparou a ideia ao Groupon, nascido em Chicago. Microsoft e IBM se interessaram. Parecia um recomeço. Mas era o fim. A Compra3 foi fechada enquanto era tempo. Deixou R$ 600 mil em dívidas.

Olhando hoje, dá para ver uma sequência de erros que levou a empresa ao cemitério das startups. Começou captando mais do que precisava. Foram R$ 2 milhões, numa espécie de crowdfunding, em troca de pequenas participações. Essa “gordura” liberou a empresa para contratar mais gente do que precisava, com a tranquilidade de poder pagar. E sem a pressão para otimizar os custos.

Quando o dinheiro acabou, a empresa se viu com um produto que rendia pouco, era relativamente caro (a chamada “aquisição do usuário” era muito alta) e só teria rentabilidade quando chegasse na casa dos milhões de cadastrados. E estava longe disso. Por fim, o timing. Várias empresas fazem sucesso hoje com produtos muito parecidos. Elas estavam nascendo na época em que o Compra3 fechou.

A lista de startups que fecharam é gigantesca. Algumas chegaram a fazer um bom sucesso com os usuários, como a plataforma de músicas Grooveshark e o microblog de vídeos Vine (que chegou a ser vendido para o Twitter por 30 milhões de dólares, antes disso). Muitas morreram antes disso, sem nem chegar a lançar um produto viável no mercado.

Os números mostram que a taxa de mortalidade, entre as startups, é mais feroz do que na média de novas empresas. Não só no Brasil. Um estudo feito na Universidade de Stanford corrobora um velho mito do Vale do Silício: 9 em cada 10 startups fecham. Em média, nos Estados Unidos, metade das novas empresas chega aos cinco anos de idade.

A fórmula do fracasso

Os pesquisadores criaram uma fórmula das empresas que erram. A empresa começa com uma grande campanha de relações públicas, sai na mídia. Aí sim desenvolve o produto (que não é muito bom, já que o empreendedor perdeu tempo com propaganda, e não pesquisou bem o consumidor). Já com fama, a empresa monta uma equipe grande e consegue captar muito dinheiro, mais do que deveria. Para só então perceber que não há um modelo de negócios. E que talvez as pessoas nem queiram consumir aquilo. É questão de tempo até fechar (o que deve acontecer quando acabar o dinheiro).

São negócios que “escalaram cedo demais”. “Ganhar escala” é o Santo Graal das startups, é como elas conseguem ganhar muito dinheiro gastando pouco. A lógica é ter uma equipe enxuta e um produto facilmente replicável, que dê o mesmo tanto de trabalho se for usado por uma pessoa ou por 100 milhões.

Mas startups também fecham porque nem todas as ideias são boas. De alguma forma, isso é uma vantagem. Por serem baratas e ágeis, as startups conseguem se adaptar muito rápido, e isso inclui saber fechar as portas.

“Erre rápido e erre barato”

Ricardo Doria é um entusiasta da falha como processo de aprendizado. Criou até um evento para “louvar o erro” (o Smart Fail já teve duas edições, e nele os empreendedores têm 5 minutos para contar a história dos seus erros). E dá um curso, em que ensina a desenvolver a “confiança criativa”. Há toda uma metodologia para aprender a errar rápido e barato, e assim correr riscos (que é a chave para fazer “coisas incríveis”).

Esse modo de pensar tem popularizado as histórias de “fracassos”. No Medium (que é como uma rede social de blogs) há várias publicações, em inglês, do tipo “por quê fechei minha startup (e o que aprendi com isso)”. Há uma thread no Reddit em que os usuários publicam notícias de empresas que fecharam (/r/shutdown) e há alguns com listas de antigas startups.

Um deles, o Startup Graveyard, compila o ramo da indústria da empresa, período de funcionamento, fundadores, quanto de investimento recebeu e ainda traz alguns motivos para o fim. O projeto nasceu como uma tese de mestrado na Universidade de Nova York, do estrategita digital. O grande desafio é encontrar informações precisas.

Inclui encontrar ativos da marca abandonada, informações sobre a empresa de fontes variadas que indiquem claramente quais motivos levaram à queda. O site é uma fonte, mas é muito difícil determinar exatamente o que levou a uma falência. As companhias são complexas, e em geral vão parar no ‘cemitério’ como resultado de uma longa lista de fatores interrelacionados.

No Brasil

Encontrar as startups fantasmas do Brasil é um trabalho bem mais difícil. Apesar de iniciativas como o Smart Fail e o Day1, da Endeavor, as histórias que deram errado ainda são raras. São raras as postagens do tipo, no Medium. Não há quase nada na imprensa, mesmo em veículos especializados. Mesmo durante a apuração desta reportagem, foram poucos os empreendedores que toparam falar. Seja por motivos jurídicos ou por não quererem falar dos seus erros. Para Ricardo Dória, a explicação é simples:

Uma exceção foi Adonis Batista Beggi. De uma geração posterior à de Bruno Medeiros, ele lançou a Get Out quando o chamado “ecossistema de startps” já estava mais robusto, no Brasil. Tal qual Mark Zuckerberg, ele abriu a empresa na cozinha da casa da sua mãe. Despontaram depois de entrar para uma aceleradora. Adonis dava entrevistas, palestras, participava de prêmios e vivia saindo em listas de “startups mais inovadoras”.

Adonis Batista Beggi: os erros cometidos na primeira tentativa de empreender serviram de lição para abrir um novo negócio, desta vez com mais segurança.

A Getout era uma plataforma para integrar interessados em praticar atividades (em geral esportes radicais) a um organizador. Uma porcentagem da taxa de inscrição ia para o site. Mas o custo de aquisição era alto, e eles precisavam triplicar o ticket médio, para ter uma rentabilidade decente.

“Pensei muitas vezes. Será que eu não estou desistindo? Não deveria ser mais persistente?”. Era 1.º de abril, dia da mentira, quando ele e seu sócio Lucas Kenji reconheceram que não dava mais. Com uma média de 300 eventos em quatro estados por fim de semana, no auge, eles já estavam ficando loucos resolvendo pepinos dos participantes. Um dos parceiros chegou até a ir para a UTI, após um acidente ocorrido em uma atividade. A empresa nunca ia ganhar escala.

Fecharam antes de captar com investidores, com apenas R$ 15 mil de prejuízo. Metade foi abatido com o próprio patrimônio da empresa. Da Getout, herdaram conhecimentos com marketing digital e com ferramentas avançadas de big data, conhecidas no Vale do Silício, para onde foram participar de fóruns de startups.

Nasceu a Hariken, que nunca ganhou nenhum prêmio, mas já está indo para a terceira rodada de captação financeira. A primeiro foi com um investidor-anjo que Adonis conheceu por meio da Getout. A Hariken é uma plataforma de estratégia de marketing digital que lida com dados. Foram nove meses de estudo e validação para colocar um produto bem ajeitado no mercado. “Faz a mesma coisa que o Adobe [principal concorrente], com a mesma qualidade, mas o pacote deles custa R$ 5 milhões. O nosso parte de R$ 800”.

Recomeço

Os erros da Compra3 viraram o coração do novo negócio de Bruno Madeiros, a Lake Tahoe. É uma empresa de participações, ou seja, seu negócio é impedir que startups com potencial cometam esses mesmos erros. A primeira experiência foi na Beauty Date, em que Bruno entrou como sócio para ajudar na captação financeira. Arrecadaram quase R$ 30 milhões em um ano e meio, além de se unirem ao grupo que é dono da Keune Brasil, o que abriu caminhos nos salões de beleza.

A Fundação Dom Cabral, que trabalha com educação executiva, há alguns anos coloca uma lupa no mundo das startups. O professor Hugo Tadeu, que integra o núcleo de Inovação da instituição, explica que há algumas características bem brasileiras para as startups darem errado. Mas que, mais preocupante do que olhar para como elas morrem, é ver como elas nascem.

Como se sabe, o Brasil figura nas últimas posições em rankings de produtividade, como o elaborado pela instituição suíça IMD. Há também uma crise de gestão. Mais de 90% das startups morrem porque não têm modelo para gerir o negócio. E 70% não sabem fazer uma leitura de mercado, como converter uma boa ideia em um produto com viabilidade comercial.

É preocupante, diz o professor, que um grande número de startups brasileiras tenha um nível de produtividade médio (que se mede pela proporção de faturamento por empregados ou pela exepctativa de investimento futuro na empresa). Ao passo que as mais produtivas do país são as grandes. Justo as que têm acesso a subsídios muito vantajosos.

“Estas empresas grandes acabam criando uma barreira de mercado, e não deixam o empreendedor entrar. Isso mostra que [há um problema] de modelo de desenvolvimento econômico (…) o que falta é uma política clara, uma visão estratégica de longo prazo para este ambiente prosperar, com coordenação entre o público e o privado. Tem muito a ser discutido.”

 

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/empreender-pme/a-historia-pouco-conhecida-das-startups-que-deram-errado-6qht0lh7j18bdrmntpbleyuqb

STARTUP DE SAÚDE CAPTA R$3,5 MILHÕES E PLANEJA ESTAR PRESENTE EM 100 CIDADES ATÉ O FIM DE 2017

A Hippo Drs, startup de saúde que se posiciona como assistente médico pessoal, acaba de receber um aporte de R$3,5milhões para ampliar sua participação no mercado de healthcare. Na última semana, quatro grupos de investidores-anjo se uniram a nomes como Kick Ventures, de Rodrigo Quinalha, e Thamila Zaher (Grupo SEB) e estão apostando na capacidade de um empreendedor de 26 anos que está oferecendo uma alternativa inovadora ao tradicional modelo de negócios dos planos de saúde.

Fundada em julho de 2015, em Ribeirão Preto, a startup já alcançou seu ponto de equilíbrio financeiro (breakeven) esuperou em maio a marca de três mil atendimentos mensais, incluindo consultas médicas e exames, entre outros procedimentos, incluindo aquisição de equipamentos auxiliares, como óculos, por exemplo.

Nos últimos 12 meses, a Hippo Drs tem crescido a taxas mensais de 20% e já está presente em 25 cidades de cinco estados brasileiros, reunindo mais de 1000 médicos parceiros. Com o novo investimento, a meta é chegar a 100 cidadesem oito estados até o final de 2017.

Em meio a tantos números, o principal resultado da startup, porém tem sido a satisfação de clientes que conseguem agendamentos de consultas em até 48 horas a preços que começam em R$70,00, sem adesão e sem custo mensal. Omodelo de negócios também agrada aos médicos, que têm total liberdade para realizar seu trabalho, incluindo solicitaçãode exames, e são mais bem remunerados do que pelos planos de saúde.

Da dor nasce uma ideia

Depois de um acidente de moto que resultou em uma verdadeira odisseia por uma consulta com um ortopedista pelo plano de saúdeo fundador da Hippo Drs, Raulo Ferraz, sentiu na pele, literalmente, que havia uma “dor” a ser superada. Desde a queda da moto, em 2014, até esta semana, em abril de 2017o jovem empreendedor já enfrentou situações dignas de um experiente executivo. E está em busca de mais.

Em 2016, vencemos a Maratona de Negócios da Campus Party Brasil e depois a Venture Capital Brasil e recebemos os primeiros aporte. Saltamos de uma equipe de cinco para 22 pessoas em três meses. Em tempo, notamos que isso nãoera sustentável e reduzimos para oito pessoas. Mesmo com esse corte, nosso volume de vendas aumentou em quase 40%”, lembra Ferraz, que nesta época cursava Administração na FEA/USP, em Ribeirão Preto.

A ideia da Hippo Drs é simples: fazer o elo de ligação entre o cliente e os serviços de médicos, laboratórios, diagnósticos por imagem, farmácias e até óticas, pensando na saúde do indivíduo desde a gestação até a terceira idade. Para isso, utiliza seu website,  aplicativo para IOS e Android, telefone  e Whatsapp. “Nossa missão é oferecer a melhor experiência de saúde para todos e resolver a vida do cliente”, define o empresário.

startup começou com o plano de ser um ‘Uber da saúde’ ou uma lista telefônica de médicos, mas o modelo de negócios foi evoluindo junto com as experiências da empresa e de seu fundador. “A consulta não é o fim. Um bom atendimento exige exames, medicamentos e seu uso correto. Todas essas interações interessam à Hippo Drs, inclusive vacinas eexames preventivos como teste do pezinho e da orelhinha”, pontua Ferraz. A empresa oferece também pagamento online de consultas, prontuário eletrônico à disposição do paciente etc.

Origem

O modelo de startup global foi desenhado por Raulo durante uma temporada em Amsterdam, na Hogeschool Inholland. Oque era apenas um agendador de consultas ganhou outro corpo de forma a resolver as dores de cidadãos de todo omundo, estejam eles no Brasil ou na Ucrânia.

Foi a persistência de empreendedor que conferiu à Hippo Drs o espírito que a empresa tem hoje. Raulo precisou aprender o básico sobre programação para criar o primeiro site. Como ainda não tinha médicos cadastrados, atendia os pacientes por telefone apenas para entender suas necessidades e conversava até o paciente desligar. “Nas primeiras 50 consultas que agendamos, fiquei na recepção dos consultórios acompanhando e conversando com o cliente. No final da consulta, eu me identificava e fazia uma entrevista para entender melhor a experiência”, lembra ele.

“No primeiro site que programei, existia um botão que levava para um formulário do Google. Bem simples. Descobri que tinha 60 cliques ali, mas nenhum formulário preenchido. Na terceira semana, colocamos um telefone e recebemos cinco ligações no mesmo dia. Eu parecia criança em véspera de Natal. Hoje recebemos mais de 500 contatos por dia, via aplicativo, e-mail, telefone, whatsapp, chat e agora também pelo site”, compara.

A empresa ainda não tem um time de tecnologia, mas a contratação de um CTO já faz parte dos planos de investimento após a captação dos R$3,5 milhões. Aliás, o uso racional dos recursos com base em um plano de expansão sustentável foi um dos aprendizados ao longo de pouco mais de dois anos de empresa. Em dezembro de 2015, o capital havia se esgotado e o fluxo financeiro mostrava apenas mais dois meses de existência. “Se nada acontecesse, dia 28 de fevereiro a empresa fecharia”, relembra Raulo.

Com o sucesso da empresa na Campus Party Brasil, no início de 2016, a empresa recebeu seu primeiro aporte de Thamila Zaher, do grupo educacional SEB. Em dezembro, após a competição Venture Capital Expo, vieram mais dois aportes importantes. Entraram no negócio a Kick Ventures, de Rodrigo Quinalha, investidor serial que tem mais de sessenta empresas em seu portfólio e um investidor-anjo do setor da saúde. Com isso, a empresa saiu de três para 21 cidades em apenas três meses.

“Este resultado pavimentou nosso caminho, pois mostrou que conseguimos crescer rápido e de forma sustentável”, avalia o sócio-fundador. Foi a partir deste equilíbrio que esta nova rodada de investimentos, encerrada esta semana, levantou capital junto a quatro investidores-anjo de perfil bastante diferente: Luiz Namura, presidente da Solum Ambiental, de SãoJosé dos Campos; uma família de médicos de Curitiba; um grupo de empresários de Belo Horizonte que atua na área de construção e em clínicas populares; e uma família de usineiros de Ribeirão Preto.

O plano, entretanto, é manter os pés no chão. A empresa já recebeu convites para abrir operações no México e no Panamá, mas mantém a América Latina dentro de seu radar. “Neste momento, a meta é manter o crescimento de 20% ao mês”, traça seu fundador. Para isso, a principal ferramenta de divulgação tem sido a recomendação de clientes e médicos satisfeitos. Com a crise no setor de medicina de grupo, a Hippo Drs vê um céu de brigadeiro pela frente.

 

Fonte: https://startupi.com.br/2017/06/startup-de-saude-capta-r35-milhoes-e-planeja-estar-presente-em-100-cidades-ate-o-fim-de-2017/

RENAULT FABRICA STARTUPS PARA TURBINAR TECNOLOGIA DOS CARROS

Renault Experience 2.0 definiu três startups para serem aceleradas e entrar de vez no mercado

Renault Experience 2.0 seleciona projetos para transformar em startups Reprodução Renault

Além de produzir automóveis, a Renault agora também fabrica startups. A ideia da sede brasileira da empresa – que atraiu atenção até dos franceses – é se tornar um celeiro de ideias inovadoras em mobilidade urbana. Mas, ao invés de captar empresas prontas, a Renault abriu as portas para grupos de universitários com boas ideias na cabeça. As melhores vão para um programa em que viram startups. Foram 11, no total.

Três finalistas foram selecionadas. Os projetos vão ser acelerados pela Renault (em parceria com a Hot Milk) a partir de julho. O objetivo é formatar 100% o negócio para a garotada entrar com tudo no mercado. Logo elas podem estar operando dentro do seu carro (ou na tela do seu smartphone). Conheça os finalistas:

Move Curitiba

É um aplicativo para aluguel de vagas de estacionamento. Chama Park Care, e funciona de forma colaborativa, ou seja, são os próprios usuários que oferecem ou requisitam suas vagas. Quem tem espaço ocioso em casa (ou no escritório) cadastra as vagas e o valor na plataforma. Quem precisa estacionar abre o mapa e encontra qual a vaga mais perto. Seleciona local, data e horário e paga por ali mesmo, pelo aplicativo.

Ah, além de carros, o Park Care tem opção para motos e bicicletas.

Terpibots

O grupo criou um dispositivo para ajudar o motorista a fugir de postos de gasolina fraudulentos e de mecânicos mal intencionados, que inventam revisões onde não tem.

O aparelho, chamado OnChange, envia dados técnicos em tempo real para uma plataforma inteligente. Lá, eles são transformados em informações úteis para o motorista. Esse “mecânico virtual” traduz os dados, dizendo se entrou gasolina falcatrua no tanque, ou se uma determinada peça está mesmo no fim da sua vida útil.

Para transformar isso em lucro, a startup pretende vender o dispositivo e cobrar uma mensalidade a partir do 2.º ano.

Smart Security

O Smart Security se integra ao alarme tradicional e cria uma versão “inteligente”, que informa em tempo real caso haja alguma coisa insegura acontecendo com o carro.

O aparelho conversa com um aplicativo instalado no smartphone do motorista. Ele envia alertas caso uma criança ou animal de estimação tenha sido esquecido dentro do carro; e se houver arrombamento, mandando também a geolocalização do veículo. Em caso de batidas graves, o app notifica as autoridades de forma automática, também com a geolocalização do carro.

A ideia é do produto é ser um diferencial que montadoras e seguradoras podem oferecer para o cliente.

 

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/empreender-pme/renault-fabrica-startups-para-turbinar-tecnologia-dos-carros-201rwoblm84enuqwmxj8g8z5y

STARTUP QUER TORNAR COMPRA DE CASA TÃO RÁPIDA QUANTO TROCAR DE CARRO

Assim que compra a sua casa, a Opendoor faz as reformas necessárias e depois a coloca à venda — o que acontece, em média, 90 dias

O plano da Opendoor é oferecer um preço justo, comprar a sua casa, reformá-la e revendê-la. Os desafios são grandes, mas não é que a startups do Vale do Silício está crescendo. Doug Chayka NYT

 

Em 2003, Keith Rabois, há tempos investidor e executivo do Vale do Silício, teve uma ideia ambiciosa: queria lançar um site que ofereceria instantaneamente preços justos para sua casa. Se você aceitasse a oferta, o site concordaria em comprar o imóvel na hora, fechando o negócio em uma questão de dias.

Para Rabois, o plano parecia óbvio: as casas são a coisa mais cara que a maioria das pessoas tem e, no entanto, são as mais difíceis de comercializar—de vender rapidamente se você precisa se mudar ou está de alguma maneira precisando de dinheiro na hora. Mas a tecnologia poderia resolver isso.

Analisando uma grande quantidade de informação de venda, a empresa poderia chegar a um preço exato para a maioria das casas, e então a startup compraria as propriedades, cobraria uma taxa de conveniência das pessoas e venderia em um prazo maior de tempo.

Havia apenas um problema: na época, o Vale do Silício estava envolvido no colapso das empresas de internet e ninguém aceitaria financiar um plano tão caro. Então, Rabois guardou a ideia por mais de uma década. Em 2014, com um clima melhor, ele e vários parceiros abriram uma empresa de compra de casas, chamada Opendoor.

Desde então a companhia conseguiu mais de US$ 300 milhões com a venda de ações e fez empréstimos de mais de US$ 500 milhões. A companhia planeja operar em dez mercados até o final do ano.

No processo, a Opendoor também se tornou um modelo para um novo tipo de estrelas da tecnologia, que podem ser chamadas de startups gordas.

As startups gordas

Durante grande parte da década passada, investidores de tecnologia se apaixonaram por empresas de software que podiam crescer rapidamente com pouco dinheiro— como o Instagram, que levantou menos de US$ 60 milhões antes de ser comprado pelo Facebook por US$ 1 bilhão.

Mesmo o Uber, que conseguiu bilhões de dólares para se expandir, atraiu investidores com a promessa de baixos custos operacionais, já que não possui carros nem emprega os motoristas.

Mas, desde então, os mercados de capital modernos se abriram para oportunidades muito maiores para os empreendedores de tecnologia. Eles foram abençoados com acesso essencialmente ilimitado ao dinheiro, e ideias que um dia pareceram muito caras, muito arriscadas ou apenas muito malucas agora estão saindo do papel.

Essas startups são gordas — com capital, ambição para mudar a indústria e, para seus críticos, muita arrogância.

Veja como Elon Musk, executivo chefe da Tesla e da SpaceX, está construindo seus carros elétricos em uma fábrica automatizada gigante, com tetos solares, foguetes e, como hobby, uma empresa que faz túneis. Existem startups tentando criar transportes rápidos de Hyperloop e outras trabalhando em veículos voadores.

A Opendoor segue esse modelo. Seus planos são precários: a empresa enfrenta competição crescente, custos de operação altos e — como estamos falando de um mercado que causou a crise financeira global – a possibilidade de uma implosão imprevista.

Mas, se funcionar, a Opendoor pode ser transformadora; tornando a compra e a venda de casas tão fácil como trocar de carro, pode alterar a economia por todo o país e mudar a maneira como as pessoas encaram a casa própria.

“O setor imobiliário é uma classe de ativos de US$ 25 trilhões – as pessoas gastam mais em moradia do que em alimentação, transporte, saúde e educação”, afirma Eric Wu, fundador e executivo-chefe da Opendoor. “Achamos que podemos fazer esse mercado funcionar muito melhor do que hoje.”

Eric Wu, um dos fundadores e CEO da Opendoor, na sede da companhia em São Francisco. A proposta da empresa é comprar a sua casa e revendê-la da forma mais rápida possível.Christie Hemm Klok NYT

Até agora, a Opendoor está crescendo rapidamente. Em geral, o serviço funciona da maneira como Rabois imaginou originalmente. Se você quer vender uma casa dentro da faixa de preço da Opendoor, vai ao site, escreve o endereço, responde algumas questões e então espera pelo e-mail da empresa.

A companhia tem cientistas de dados que desenvolveram um sistema sofisticado de modelo de preços de casas. A Opendoor foca no mercado mediano e não vai comprar casas ruins nem muito luxuosas, para as quais a dinâmica de preços não é previsível. Se sua casa está dentro desses critérios, ela mandará uma oferta que vai refletir as melhores estimativas do valor da propriedade.

Um número surpreendente de pessoas está dizendo sim para as ofertas da Opendoor. Wu afirma que cerca de 30% das pessoas que pedem uma avaliação decidem aceitar o valor da empresa.

A Opendoor não quis fornecer os números de receita e crescimento, mas, como as informações de venda de casas são públicas, analistas externos puderam acompanhar o progresso da empresa.

Assim que compra a sua casa, ela faz as reformas necessárias e depois a coloca à venda. Em média, repassa a casa em cerca de 90 dias.

Um ano atrás, segundo uma análise de Mike DelPrete, conselheiro independente de tecnologia imobiliária, a Opendoor estava vendendo cerca de 50 casas por mês em Phoenix, na época seu único mercado. Os negócios aumentaram sem parar desde então.

Em fevereiro, a Opendoor comercializou mais de 300 casas em Dallas, Las Vegas e Phoenix. A empresa planeja lançar seus serviços em breve em um novo mercado, Atlanta.

A companhia também vem agilizando outras partes do processo imobiliário. As casas que ela vende estão equipadas com câmeras, sensores e fechadura de portas habilitadas pela internet, permitindo que compradores potenciais destranquem as portas com o aplicativo da Opendoor e entrem e saiam na hora que quiserem.

Ela também começou uma operação de corretagem de hipotecas, assim os compradores podem acelerar o acesso ao capital —um precursor em potencial da oferta de financiamento próprio.

A ideia é ótima, mas os desafios são grandes

No entanto, a Opendoor enfrenta enormes obstáculos, incluindo a competição.

Duas outras startups, a Offerpad e a Knock, estão oferecendo serviços parecidos. E recentemente o portal imobiliário Zillow começou um programa piloto que conta com muitos investidores, incluindo a Offerpad, para dar lances instantâneos por casas em Las Vegas e em Orlando, na Flórida.

A Opendoor quer ficar na frente oferecendo um serviço mais amigável ao cliente e expandindo-se rapidamente. Wu afirma que, à medida que a empresa cresce, vai poder deixar o negócio mais eficiente, permitindo reduzir muito mais a comissão — e até mesmo se aproximar da paridade com o processo tradicional de venda.

Mas os custos da Opendoor são altos, o que dificulta atingir essa meta. Em uma avaliação, DelPrete e outro analista imobiliário, Sib Mahapatra, estimam que, por causa dos altos custos de possuir e manter cada casa por cerca de três meses, a Opendoor consegue apenas oito mil dólares de lucro na venda de uma casa em Phoenix. Ela também depende muito da apreciação do imóvel; em média, vende cada casa por cerca de 5,5 por cento mais do que pagou.

“Há obviamente um apelo substancial por esse produto”, afirma Mahapatra. “Mas minha questão é: ‘Será que outros concorrentes da mesma linha podem reproduzir essa consistência, mas de maneira mais barata?’”

Além disso, existe um cenário de pesadelo: uma quebra no mercado imobiliário.

Parte do motivo pelo qual a Opendoor está se expandindo para novos mercados é para evitar as vicissitudes do negócio. O maior risco da empresa é possuir todas aquelas casas; se algum tipo de desastre acontecer em Phoenix e a venda de imóveis despencar, a Opendoor se veria com centenas de imóveis que não conseguiria vender. Operando em vários mercados, segundo Wu, a empresa pode se proteger de quebras localizadas.

E se houver uma correção no país todo? Wu explica que sua equipe fez simulações de quebras anteriores, incluindo a de 2008, e descobriu dois cenários. Primeiro, o negócio pode ir mais devagar por alguns anos e depois melhorar junto com o mercado. Ou seria capaz de até mesmo ganhar mais, porque os vendedores poderiam decidir pagar uma bonificação mais alta para conseguir uma determinada oferta.

“Existe uma chance de podermos prosperar em tempos de volatilidade”, diz Wu.

Parece loucura? Bem, estamos falando de um site que vai fazer uma oferta pela sua casa sem vê-la. Tudo sobre isso é maluquice. Mas esse é o negócio da tecnologia hoje, e, quem sabe, isso pode funcionar.

 

‘‘CAÇADOR DE STARTUPS’‘ CONTA COMO SELECIONA OS MELHORES PROJETOS PARA INVESTIR

A convite da Brainvest, o sócio da Peak Ventures, Diogo Myrrha, veio ao Brasil e falou sobre o que os fundos buscam nas startups

Em algum momento, boa parte das startups saem em busca de uma rodada de investimentos de venture capital. Seja para crescer ainda mais ou para aprimorar seu negócio, eles são importantes. A convite da Brainvest Wealth Management, o sócio da venture capital norte-americana Peak Ventures, Diogo Myrrha, veio ao Brasil na última semana e falou sobre o que busca nas startups, como elas podem aumentar suas chances de receber investimento e quais as projeções do mercado.

Antes de tudo, ele afirmou que, mais do que investir em negócios, o papel de uma venture capital é investir “em pessoas”. “O processo envolve conhecer muito o empreendedor, eu perco de 70% a 80% do meu tempo conhecendo-o. Procuro conhece-los em uma linha mais pessoal para ter mais segurança”, disse. Depois isso, o que os investidores buscam fazer é uma análise “do ponto de vista legal e financeiro”, para garantir que o negócio pode cumprir o que promete. Para chegar ao ponto de conhecer o empreendedor, entretanto, a startups devem ser de áreas em que possui mais interesse e que, segundo ele, são também as que criarão maior impacto na sociedade.

Drones, bancos de dados, tecnologias em agronegócio e avanços em cidades inteligentes estão entre elas. “Nosso foco continua sendo em empresas de software on services, dentro do mercado de tecnologia. Mas sabemos que esses demais setores serão revolucionados nos próximos anos”, explicou.

Entretanto, mesmo que o empreendedor tenha um negócio disruptivo, de acordo com Diogo é possível que ele “erre” em algum momento e prejudique sua trajetória: “eu procuro tratar todo o empreendedor como um herói — ele largou uma vida confortável para correr atrás de seu sonho, e esse sonho tem que ter alguma coisa válida. Só que, se ele não consegue nos comunicar sua visão, nós não conseguimos investir”, explicou. Por isso, é importante que os donos de startups sejam “sinceros e diretos” para que o negócio seja explicado da melhor forma possível.

Além de tal erro comum, os empreendedores possuem, no geral, um padrão de comportamento, aos olhos de Diogo: os mais recentes com quem conversou têm experiência na área em que atuam, o que faz com que ele cometa menos erros, e trabalham incansavelmente, cerca de 12 horas a 14 horas por dia. “Eles alcançam o sucesso a qualquer custo”, disse.

O mercado de startups nos EUA

Diogo afirma que, pela distância, é difícil afirmar como anda o mercado brasileiro de startups, mas, ainda assim, afirma que é necessário “ter maior confiança” para que o mercado amadureça. Já no caso do mercado norte-americano, que é o foco da Peak Ventures, ele afirma que se tem um novo polo de “nascimento” das startups: o estado de Utah. “O estado tem uma grande concentração de unicórnios, nós temos visto um ‘barulho’ nessa região. É um mercado secundário que não se ouve falar muito, mas que tem apresentado crescimento”, disse.

 

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/empreender-pme/cacador-de-startups-conta-como-seleciona-os-melhores-projetos-para-investir-0i1uqlvknjy5i35ght43c5o9f

QUEM SÃO OS VENCEDORES DO “OSCAR DAS STARTUPS” DESTE ANO

O Prêmio Gala Latam Founders, conhecido como o “Oscar das startups” na América Latina, divulgou seus vencedores nesta semana

São Paulo – O Prêmio Gala Latam Founders anunciou nesta semana os vencedores de sua quarta edição, de empreendedores e startups a aceleradorasfundos de investimento.

A premiação, conhecida como o “Oscar das startups”, reconhece as organizações mais relevantes do ano no mundo da inovação no Brasil e na América Latina como um todo.

A premiação é organizada pela Latam Founders Network, uma rede exclusiva de mais de 700 associados – CEOs, parceiros e interessados em investimentos em tecnologia na América Latina.

Neste ano, o Gala Latam Founders contou com a presença de 180 empreendedores e investidores, além de uma palestra do guru do marketing digital Neil Patel. A escolha dos ganhadores se deu por indicação dos associados da Latam Founders e, pela primeira vez, também em votação aberta.

Entre os ganhadores, estão startups bem conhecidas, como Netflix e Nubank, e agentes reconhecidos do ecossistema de empreendedorismo, como GoogleCampus e Kaszek Ventures. A empreendedora do ano é Luciana Caletti, CEO da LoveMondays – e marca a primeira vez em que uma mulher ganha tal premiação.

 

Fonte: http://exame.abril.com.br/pme/quem-sao-os-vencedores-do-oscar-das-startups-deste-ano/

VALE DO PINHÃO COMEÇA A SAIR DO PAPEL COM EVENTO CHEIO DE STARTUPS

Conecta Engenho terá mais de 20 palestras, com histórias como a de Ricardo Doria (Aldeia Coworking) e da Contabilizei, que acaba de ganhar o título de um dos negócios mais inovadores da América Latina

Grande aposta de Curitiba para emplacar a cidade como um polo de inovação, o Vale do Pinhão começa a engatinhar. Depois de algumas reuniões e eventos com gente do mundo da inovação, o projeto realiza seu primeiro grande evento aberto ao público, neste sábado (1.º) e domingo (2), com várias startups e empreendedores de destaque da cena curitibana. É o Conecta Engenho.

Confira a programação completa

O evento abre portas para quem quer começar a se inteirar do mundo da inovação. São mais de 20 palestras, a maior parte com histórias de quem colocou a mão na massa para tirar a inovação do papel, em Curitiba, nos últimos anos.

Caso de Ricardo Dória que, com apenas 30 anos, já é considerado um dos “pioneiros” da inovação, na cidade. E do pessoal da Contabilizei, que ostenta nada menos do que o título de “um dos negócios mais inovadores da América Latina.

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Também participa o pessoal da Lilibox, que venceu o Elevator Pitch da Gazeta do Povo, no final do ano passado. Eles tiveram 90 segundos para convencer jurados figurões de que sua ideia de negócios era genial, no evento. E conseguiram. A startup conecta vendedores de cosméticos a consumidores.

Outras palestras são para ensinar os primeiros passos do empreendedorismo. Além do Sebrae, duas incubadoras da cidade vão apresentar dar instruções para quem está começando a empreender. Uma presença curiosa é a do pessoal da Cyber Rex, grupo de robótica de uma escola municipal de Curitiba que já ganhou vários prêmios e competições.

Antigo Moinho Rebouças vai abrigar startups em breve

O Conecta Engenho vai ser o primeiro evento aberto ao público do projeto desde que o Vale do Pinhão inaugurou sua sede física, no último dia 23. O local, batizado Moinho da Inovação, é o antigo Moinho Rebouças (que já abriga a Fundação Cultural de Curitiba, como parte de um sonho antigo de revitalizar a região por meio da cultura).

Mais do que ter um espaço físico, o plano da prefeitura é transformar todo o bairro do Rebouças em um polo de inovação, unindo ações do setor público, privado e da academia. Por enquanto, um andar do moinho vai ser reservado só para atividades do Vale. Neste primeiro ano, o foco deve ser em formar conexões, tanto com o ecossistema local de inovação, como com polos de inovação do Brasil e do mundo.

Na sequência, a prefeitura deve abrir o espaço para empreendedores, startups, tecnologia inovadoras. Possivelmente numa espécie de coworking municipal. A previsão é ter tudo desenhado e editais publicados no início do ano que vem (2018).

“Ali no Engenho a gente está num primeiro momento, focando na integração”, explica Frederico Augusto Munhoz da Rocha, presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento, órgão responsável pelo projeto. Ele conta que pelo menos cinco grandes empresas de Curitiba já demonstraram interesse em parcerias para investir no Vale.

Rocha não cita nomes, por questões de sigilo, mas revela que são projetos nos moldes do Cubo do Itaú e do Campus do Google, em São Paulo. As grandes empresas patrocinam, mas não mandam nos espaços, que são abertos à comunidade inovadora. “São empresas que estão aqui e já tem um viés forte na questão da inovação”, comenta, sobre os interessados.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/empreender-pme/vale-do-pinhao-comeca-a-sair-do-papel-com-evento-cheio-de-startups-c31mrh1bu9uawrjg8nra2ce90