PRODUÇÃO DE ENERGIA EÓLICA CRESCE 55% EM 2016

Contribuiu para a expansão a entrada em operação de mais parques eólicos

A produção de energia eólica no Brasil cresceu 55,1% em 2016, segundo levantamento realizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). As usinas movidas pelos ventos em operação no Sistema Interligado Nacional (SIN) foram responsáveis por 3.651 MW médios, ou 1.297 MW médios a mais do que o registrado em 2015.

Contribuiu para a expansão a entrada em operação de mais parques eólicos. Conforme a câmara de comercialização, ao final de 2016 havia 402 empreendimentos deste tipo em atividade no SIN, somando 10.221 MW de capacidade instalada, o que corresponde a um aumento de 23,5% frente os números do ano anterior (8.277 MW), quando havia 325 projetos em funcionamento no país.
A expansão da fonte eólica resultou numa maior representatividade do segmento, que passou a responder por 6% da produção nacional, em 2016, o que significa dois pontos porcentuais acima do observado no ano anterior.

O desempenho do setor eólico brasileiro se destaca no mundo. Na semana passada, o Global World Energy Council (GWEC) divulgou seu anuário “Global Wind Statistics 2016”, no qualnov o Brasil aparece na nona colocação na lista das nações com mais capacidade instalada total de energia eólica, à frente da Itália. Em relação ao ano passado, o País avançou uma posição e agora já responde por 2,2% da capacidade global.

No ranking de nova capacidade instalada no ano, o Brasil ficou no quinto lugar, tendo instalado cerca de 2 GW de nova capacidade em 2016. Nesta categoria, o país caiu uma posição, sendo ultrapassado pela Índia, que instalou 3,6 GW de nova capacidade no ano passado.

FONTE: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/energia-e-sustentabilidade/producao-de-energia-eolica-cresce-55-em-2016-6wwdmtm84uq7risdnkg4rwydx

ENERGIA SOLAR TENDE A SER A MAIOR FONTE DE ELETRICIDADE DO MUNDO EM POUCO MAIS DE DUAS DÉCADAS

Previsão é de que 15% de toda a energia consumida no mundo virá do sol até 2040

 

  • Cíntia Junges

Nada de carvão ou gás natural. Em pouco mais de duas décadas, os painéis solares poderão ser a principal fonte de energia no mundo. No ritmo atual de crescimento, a fatia de energia fotovoltaica na capacidade de geração mundial deve saltar dos atuais 4% para cerca de 30% em 2040. Até lá, 15% de toda a energia consumida no mundo virá do sol.

A necessidade de reduzir emissões combinada à queda no preço da tecnologia é apontada como fator determinante para a expansão não apenas da energia solar, mas também da eólica. Mesmo em países sem qualquer tipo de subsídio, o custo da energia eólica onshore deve cair mais 41%, enquanto o preço da energia solar será reduzido em 60% nos próximos 25 anos, segundo previsão da Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Juntas, essas fontes serão responsáveis por 64% da nova capacidade de geração mundial até 2040, capitaneando a maior parte dos investimentos.

Mais do que uma previsão, o estudo aponta uma tendência, afirma Lilian Alves, líder da BNEF na América Latina. “A principal mensagem dele é que sairemos de um modelo apoiado nos fósseis para um modelo apoiado em renováveis como solar, eólica e baterias. O maior exemplo dessa tendência foi o ano de 2015, que registrou recorde de instalação de fontes renováveis, apesar do preço baixo do petróleo”.

O avanço das fontes renováveis é um caminho sem volta. De acordo com o relatório do BNEF, nem mesmo a queda do preço do carvão e do gás natural será suficiente para barrar a expansão das fontes alternativas. Dos US$ 11 trilhões em investimentos previstos em energia para os próximos 25 anos, apenas US$ 3,2 milhões serão gastos em combustíveis fósseis. Surpreendentes US$ 7,8 trilhões serão aplicados em energia renovável. Em 2040, mais de 10% da capacidade de geração global será de geração solar distribuída, embora em alguns países esta quota será significativamente maior.

Metade dos recursos investidos virá da Ásia. Só a China deve capitanear US$ 2,8 trilhões em novos investimentos, com 73% da nova capacidade provenientes de fontes renováveis. Mas nos próximos cinco ano ainda veremos a China acrescentando quase 190 GW de usinas de carvão. O país asiático deve atingir seus picos de nova capacidade de carvão em 2020, e de geração de energia por meio de carvão em 2025.

A partir daí, as fontes renováveis devem ser predominantes, não apenas na China, mas em vários outros países. Segundo a BNEF, o ano de 2027 ficará marcado como o ponto de inflexão no cenário energético, quando a energia eólica e solar começam a ficar mais baratas do que o carvão e o gás natural.

Renováveis e fósseis disputam espaço

O boom global de fontes renováveis é um grande passo em direção a uma matriz mais limpa, contudo, não será suficiente para tirar de cena os combustíveis fósseis. De acordo com o estudo do BNEF, eles manterão uma participação de 44% na geração em 2040 – em comparação com dois terços em 2015. Cerca de 963 GW de nova capacidade a carvão ainda serão adicionados até 2040 quase que exclusivamente em países em desenvolvimento, com políticas de mudanças climáticas fracas ou ainda por implementar. Enquanto a geração de energia com carvão despenca na Europa, China e Estados Unidos até 2025, o consumo global do combustível fóssil cresce cerca de 7% em mercados emergentes como a Índia e países da África e Sudeste Asiático, sobretudo em função da queda do preço. O gás natural, por exemplo, deverá ser o combustível de transição da matriz nos Estados Unidos.

Virada energética

Impulsionadas pela queda do preço e pela necessidade de reduzir emissões, a energia solar e eólica serão responsáveis por 64% da nova capacidade de geração instalada em todo o mundo até 2040.

Preços

A tendência de queda nos preços do carvão e gás não será suficiente para frear o avanço das fontes eólicas e solar, cujos preços devem ficar ainda mais competitivos nos próximos anos.

Geração de energia em 2040

Apesar de um boom global de energias renováveis, os combustíveis fósseis manterão uma participação de 44% na geração em 2040 – em comparação aos dois terços em 2015.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/energia-solar-tende-a-ser-a-maior-fonte-de-eletricidade-do-mundo-em-pouco-mais-de-duas-decadas-18av8lho68yeniyxjpp85eynb

 

EÓLICA E SOLAR TRAVAM BATALHA COM NUCLEAR PELO FUTURO DA ENERGIA NA ÁFRICA DO SUL

Em uma das áreas mais ensolaradas do planeta, uma torre de 204 metros se ergue em um deserto salpicado com 4.160 espelhos. Seguindo o sol durante o dia, os chamados heliostatos redirecionam os raios solares para a torre, onde a água é aquecida para gerar vapor e eletricidade.

Desde que essa usina, a Solar Khi One, começou a funcionar, no início deste ano, perto de Upington, produziu energia suficiente para 65 mil casas durante o dia, mas também, graças à tecnologia mais recente, por algumas horas após o pôr do sol.

A África do Sul está passando por um boom de energias renováveis, que não existiam aqui poucos anos atrás. Agora, dezenas de usinas em um polo no norte do país e fazendas eólicas que operam ao longo da costa sul estão gerando 2,2 gigawatts, mais do que a maioria das nações africanas consegue produzir.

Conforme as instalações vão aumentando sua produção, ajudam a evitar os apagões que flagelavam a África do Sul até um ano atrás. Em um país que ainda depende de carvão, a indústria de energia renovável tem sido elogiada por muitos especialistas e ambientalistas como um modelo para países em desenvolvimento.

Mas a provedora sul-africana Eskom e algumas autoridades do governo não veem a situação dessa forma, criticando a energia eólica e solar, que consideram cara e pouco confiável. E, em vez disso, estão pressionando por um enorme investimento em energia nuclear: três centrais com um total de até nove reatores para gerar 9,6 gigawatts.

Briga de gigantes

A batalha sobre o futuro da energia na África do Sul se torna cada vez mais acirrada, frequentemente travada em termos de quilowatts e outros detalhes técnicos, às vezes com duros ataques pessoais entre autoridades e engenheiros elétricos. Também está sendo travada no âmbito político do país, com forças aparentemente próximas da administração tomada por escândalos do presidente Jacob Zuma, que busca o acordo nuclear, enquanto outros oferecem suporte à expansão das energias renováveis.

“Uma linha de ataque é que quem quer energia nuclear está ligado ao presidente Zuma e, portanto, é corrupto. As pessoas não a rejeitam totalmente; a questão é política. Se todos forem imparciais e examinarem a ciência e a engenharia, chegarão à conclusão de que precisamos de energia nuclear”, disse Matshela Koko, responsável pela geração de energia da Eskom.

As nações em desenvolvimento estão acompanhando de perto o confronto nuclear x renovável, duas formas de energia de baixo carbono que, todos esperam, irão alimentar suas economias em crescimento. Países tão diversos quanto Bangladesh, Belarus, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Vietnã estão adotando a energia nuclear.

Na África, muitas nações veem a energia solar e eólica como uma maneira rápida para reforçar sua capacidade de geração, ao mesmo tempo em que evitam métodos de geração mais velhos e mais sujos. A energia renovável também poderia trazer a diversificação para nações perigosamente dependentes de uma única fonte de energia, como o Maláui e a Zâmbia, que passaram por sérios apagões por causa de uma grave seca que reduziu os níveis da água em hidrelétricas.

Sendo a economia subsaariana mais avançada, a África do Sul tem cerca da metade da capacidade de geração de energia do continente. Ela conta com uma usina nuclear, a única no continente, que funciona desde 1984, embora a energia gerada pelo carvão garanta cerca de 80% de sua eletricidade.

Energia concentrada

A empresa espanhola Abengoa foi a primeira a assinar contratos para construir duas usinas concentradas de energia solar perto de Upington. Ao contrário da versão tradicional, a concentrada aproveita a energia do sol para produzir vapor, que pode ser armazenado por algumas horas e então usado para mover as turbinas depois do pôr do sol.

A região em volta de Upington chega a temperaturas de até 45º C e sol intenso durante todo o ano.

“A África do Sul é um dos melhores lugares do mundo para a energia solar”, disse José David Cayuela Olivencia, gerente geral da Khi Solar One.

A energia solar concentrada pode gerar eletricidade em horários de pico após o pôr do sol, mas há um custo. A eletricidade produzida pela Khi Solar One, que a Eskom deve comprar como parte de um contrato de 20 anos, é significativamente mais cara do que a energia solar regular.

“Precisamos de capacidade para suprir a demanda. Não queremos que seja carvão, por isso tem que ser nuclear”, disse Koko, da Eskom, referindo-se às usinas que nunca param de funcionar.

Em defesa das renováveis

Mas outros dizem que a construção de reatores nucleares – com uma vida útil entre 60 e 80 anos – prenderia a África do Sul a essa fonte de energia em um momento em que as renováveis vão ficando mais baratas. Nos últimos cinco anos, o custo da produção solar e eólica caiu tanto que as usinas mais recentemente aprovadas, agora em construção, irão gerar eletricidade com as menores taxas na África do Sul.

Nas próximas décadas, segundo críticos do projeto nuclear, os avanços no armazenamento e em outras tecnologias surgirão e a África do Sul estará atrelada à esse tipo de energia.

Usinas imensas acabarão desatualizadas conforme as redes elétricas nacionais forem sendo descentralizadas, dizem eles. As empresas das cidades sul-africanas estão cada vez mais instalando painéis solares, efetivamente saindo da rede. Em outros lugares na África, é cada vez mais comum ver moradores conectando celulares a um único painel ao lado de casas de barro.

“O conceito de demanda é, na verdade, antiquado. A Eskom foi construída em torno do carvão e, em menor medida, da energia nuclear, com um grande poder de geração. Isso é um tipo de miopia se pensarmos em termos do futuro da rede de fornecimento. Veremos uma África do Sul e o resto do mundo muito mais descentralizados”, disse Harald Winkler, diretor do Centro de Pesquisa de Energia da Universidade da Cidade do Cabo.

A oposição aos planos nucleares sul-africanos também vem da principal agência de pesquisa do governo, o Conselho para Pesquisa Científica e Industrial. A expansão da energia solar e eólica, além do gás natural, poderia satisfazer as necessidades de energia no futuro da África do Sul por um preço menor, de acordo com uma projeção do conselho.

“Sem novas usinas a carvão, sem novas usinas nucleares. A África do Sul está em uma situação muito feliz, pois podemos acabar com o carbono em nosso sistema de geração de energia com custo negativo”, disse Tobias Bischof-Niemz, que lidera a pesquisa do conselho sobre energia.

 

Fonte:http://www.gazetadopovo.com.br/economia/energia-e-sustentabilidade/eolica-e-solar-travam-batalha-com-nuclear-pelo-futuro-da-energia-na-africa-do-sul-2qe11v9l2b5dpma9wi3lyehnf

SETOR DE ENERGIA SOLAR PROMETE CRIAR 100 MIL NOVOS EMPREGOS NO BRASIL ATÉ 2020

Sistemas de geração distribuída conectados à rede elétrica serão responsáveis por 80% dos empregos criados no setor de energia solar

  • Ana Carolina Benelli
  • Especial para a Gazeta do Povo

O cenário otimista para o setor de energia solar no Brasil deverá ter efeito positivo no mercado de trabalho. Nos próximos quatro anos, cerca de 100 mil novos empregos diretos e indiretos devem ser gerados nesta área em todo o país. A estimativa é do Portal Solar, que reúne centenas de prestadores de serviços brasileiros especializados em energia fotovoltaica.

De acordo com o site, cerca de 5 mil novas empresas serão criadas até 2020 no país para atender ao crescimento da demanda por sistemas de energia solar. Rodolfo Meyer, diretor do Portal Solar, comenta que o maior responsável pelas contratações serão os pequenos empresários, que empregarão 80 mil trabalhadores para fazer frente ao avanço da geração distribuída. A maior parte das novas vagas será voltada aos profissionais de nível técnico. A geração centralizada, que é realizada por meio de grandes usinas com energia contratada em leilões do governo federal, deve criar aproximadamente 20 mil empregos.

“Instaladores e técnicos devem ocupar a maior parte das vagas a serem abertas, com uma média salarial de R$ 3 mil e R$ 4 mil, respectivamente. Os outros postos de trabalho serão destinados a engenheiros e equipes administrativas desses negócios, além dos trabalhadores envolvidos indiretamente”, explica Meyer.

O prognóstico positivo para o setor é confirmado pela Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica). Segundo Rodrigo Lopes Sauaia, presidente da instituição, “são gerados de 25 a 30 empregos a cada megawatt instalado por ano. Esses trabalhadores atuam na fabricação de equipamentos, projetos de engenharia para instalação de sistema, na parte logística, além dos profissionais de venda e administrativos que alimentam todo o ecossistema da energia solar”.

Contribuíram para o boom no setor o aumento nas tarifas de energia elétrica, que na média nacional teve aumento de mais de 50% no valor final da fatura em 2015, além do barateamento da tecnologia fotovoltaica, que na última década caiu cerca de 80%, comenta o presidente da Absolar. São esses motivos que o levam a crer que “em 2030 a fonte solar fotovoltaica se tornará uma das formas mais baratas de gerar energia elétrica no mundo, ocupando 8% da matriz energética brasileira”, complementa Sauaia.

Empurrão

A perspectiva que já era positiva ficou ainda melhor com a Resolução Normativa 687 da Aneel que entrou em vigor em março deste ano e flexibilizou a geração doméstica de energia, diz Rodolfo Meyer. “A geração condominial, compartilhada e o autoconsumo vão permitir novos modelos de negócio, aumentando o acesso da população a essas tecnologias”, explica.

Segundo o Portal Solar, a maioria desses novos negócios serão criados de forma descentralizada, de acordo com a demanda da região. “Desta forma, a geração de empregos não estará presa somente nos limites geográficos das capitais, promovendo o desenvolvimento em todo território brasileiro”, ressalta Meyer.

O Brasil está numa fase de amadurecimento do seu setor solar, finaliza Rodrigo Sauaia. “De 2014 a 2015, aumentou em 320% o número de instalações de geração distribuída. Um crescimento expressivo se compararmos que durante esse período a economia brasileira recuou mais de 3% no PIB”, diz otimista.

Até setembro deste ano foram registrados 5.040 sistemas de geração distribuída conectados à rede elétrica do país. De acordo com projeção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), até 2024 o número deve saltar para 1,2 milhão de unidades consumidoras no país que vão gerar a própria energia.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/energia-e-sustentabilidade/setor-de-energia-solar-promete-criar-100-mil-novos-empregos-no-brasil-ate-2020-e11hokzez2v883qx8ipp0wfun

BRASIL E REINO UNIDO INVESTEM R$ 19 MI EM PESQUISAS SOBRE BIOCOMBUSTÍVEIS

Projetos serão desenvolvidos pelos próximos cinco anos e pretendem encontrar métodos mais eficientes para a obtenção de combustíveis renováveis

Albari Rosa/Gazeta do PovoUm dos objetivos é aproveitar melhor a palha e o bagaço da cana de açúcar para obtenção de bioetanol. Atualmente, segundo pesquisadores, o processo é caro e pouco eficiente.

Num momento em que as atenções do mundo se voltam para a COP 22, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas, que começou nesta semana e vai até o dia 18 de novembro, em Marrakesh, Marrocos, Brasil e Reino Unido dão mostras de que o tema deve pautar o desenvolvimento tecnológico nos próximos anos, tanto na Europa quanto na América do Sul.

Instituições dos dois países – a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Conselho de Pesquisa em Biotecnologia e Ciências Biológicas (BBSRC), pelo lado britânico – irão investir R$ 19 milhões em dois projetos de pesquisa voltados à produção de biocombustíveis avançados, menos poluentes, obtidos a partir de matérias-primas não convencionais e produtos químicos de alto valor.

Um dos estudos, liderado pela pesquisadora Telma Teixeira Franco, da Unicamp, e pelo professor da Universidade de Bath, na Inglaterra, David Leak, é focado na celulose e na hemicelulose, que são as principais componentes das plantas e, naturalmente, estão presentes em resíduos agrícolas, como bagaço e palha de cana-de-açúcar, de sorgo, gramíneas e restos florestais, por exemplo. O objetivo é encontrar métodos mais eficientes – financeira e tecnologicamente – para extrair desses materiais a molécula responsável pela rigidez deles, chamada lignina, e assim otimizar a fermentação, que é como se obtém o bioetanol e outros biocombustíveis.

“Queremos avaliar um processo de pré-tratamento que desenvolvemos muito diferente do que tem sido feito hoje e que permite evitar a contaminação por bactérias durante a fase de fermentação do açúcar, para obter não só etanol de segunda geração, mas também outros biocombustíveis avançados, como biodiesel e bioquerosene para aviação”, afirma Franco.

O segundo projeto será coordenado por Fábio Squina, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), e por Timothy David Howard Bugg, professor da University of Warwick, Inglaterra, e visa desenvolver novas rotas biotecnológicas para valorizar a lignina. “Nosso objetivo é desenvolver novos métodos para valorizar a lignina usando ácido ferúlico como intermediário e que esse composto antioxidante, encontrado nas folhas e sementes de plantas, como farelo de milho, arroz, trigo e aveia e usado pelas indústrias de cosméticos, possa ser convertido em outros compostos, como fragrâncias, princípios farmacológicos e aromas”, explica Squina.

Ao todo, as duas pesquisas serão desenvolvidas pelos próximos cinco anos.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/agricultura/agroenergia/brasil-e-reino-unido-investem-r-19-mi-em-pesquisas-sobre-biocombustiveis-dnsd9dz3eh9k5vmzdhkc2f2gv

PELA 1ª VEZ, FONTES RENOVÁVEIS CRESCEM MAIS DO QUE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

Matriz energética mundial ganhou “um Canadá” inteiro em capacidade de geração proveniente de fontes renováveis no ano passado

O ano de 2015 já acabou, mas ficará marcado por uma grande virada energética. Pela primeira vez, houve maior acréscimo de energia limpa do que de energia suja à matriz mundial. Mais da metade da nova capacidade instalada no ano passado veio de fontes renováveis como eólica e solar, que superaram os combustíveis fósseis, segundo relatório da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), que elevou em 13% suas previsões de avanço das fontes verdes em relação ao ano passado.

Confira a evolução da “energia limpa” no total produzido no mundo desde 2001

O cenário energético mundial ganhou um reforço de 153 gigawatts (GW) de fontes renováveis em 2015, um aumento de 15% em relação ao ano anterior e o equivalente a capacidade de geração de “um Canadá” inteiro. Graças aos acréscimos recordes de energia eólica onshore (63 GW) e energia solar fotovoltaica (49 GW), as fontes de energia limpa atingiram 23% de participação na matriz global, fatia que deve subir para 28% até 2021. Até lá, as renováveis somarão 825 GW, crescimento de 42% em relação a 2015, segundo projeção da IEA.

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A consolidação dessa virada energética se deu, em grande parte, pela queda no custo das fontes renováveis, sobretudo eólica e solar – juntas, elas representam 75% do crescimento global da capacidade de energia renovável nos próximos cinco anos. De acordo com a IEA, o custo médio da energia fotovoltaica comum, usada em residências, já caiu 66% nos últimos cinco anos até 2015 e deve recuar mais 25% até 2021. Já o preço da energia eólica desacelerou 30% nesse período e deve cair mais 15% até 2021. Na prática, o barateamento da tecnologia contribuiu para que essas fontes ganhassem escala.

Segundo a IEA, com sede em Paris, esta tendência de redução de custo é sustentada por uma combinação de políticas públicas de incentivo, avanço da tecnologia e expansão dessas fontes em novos mercados com melhores recursos renováveis. É o caminho que a indústria eólica seguiu no Brasil. O país terminou 2015 como o quarto país do mundo onde a energia eólica mais cresce, atrás apenas da China, Estados Unidos e Alemanha. Em abril deste ano, o país atingiu 10 GW de capacidade eólica instalada. Para a próxima década, quase metade da nova oferta de energia prevista deverá vir de fontes verdes como eólica, solar e biomassa.

Na geografia da expansão das fontes verdes, a transformação mais expressiva vem da Ásia. Campeã em emissões de gases tóxicos, a China respondeu, sozinha, por 40% do crescimento mundial dessas fontes, de acordo com o relatório da IEA. No ano passado, pela primeira vez os países emergentes lideraram os investimentos em energia renovável, com China, Índia e Brasil na linha de frente dos aportes globais.

A velocidade com que o país asiático está implantando fontes limpas impressiona. Em 2021, segundo projeção da IEA, mais de um terço da energia solar fotovoltaica da capacidade eólica onshore acumulada no mundo estará localizada em terras chinesas. Apesar disso, tanto a China quanto os Estados Unidos podem e precisam ser mais ousados na transição para uma matriz mais verde, defende Ricardo Baitelo, coordenador de Clima e Energia do Greenpeace no Brasil. “O mundo todo está olhando para a China e os Estados Unidos, mas eles deveriam fazer mais em termos de compromisso, considerando, principalmente, o potencial econômico que têm e o fato de que eles arrastam boa parte dos recursos naturais do mundo com seus modelos de consumo”, afirma Baitelo.

Juntos, os dois países respondem por 45% das emissões de gases. A China, por exemplo, já anunciou que vai atingir o seu pico de emissões de CO2 apenas em 2030, ou seja, o corte de emissões pode não atingir o efeito desejado no processo de manutenção das metas climáticas.

Nesse ritmo, expansão das renováveis será insuficiente para cumprir metas climáticas

Apesar do avanço recorde das fontes renováveis no último ano, o relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) faz um alerta: será preciso aumentar o ritmo de implantação de energia limpa para atingir as metas climáticas de longo prazo. Para isso, grandes consumidores de combustíveis fósseis, como o setor de transportes e de aquecimento, precisam acelerar a transição para fontes renováveis assim como tem feito o setor de energia. Nesse contexto, o Acordo de Paris é considerado um divisor de águas, mais até pelo efeito simbólico e histórico do que pelos compromissos assumidos pelos principais países. “É uma vitória, mas precisa ser visto como um ponto de partida. Agora os países têm de olhar para dentro de casa e fazer a lição”, Ricardo Baitelo, coordenador de Clima e Energia do Greenpeace no Brasil. Pelo acordo assinado no ano passado na Conferência do Clima da ONU (COP-21), em Paris, as nações se comprometeram a adotar medidas para combater as mudanças climáticas e manter o índice de aquecimento global abaixo de 1,5ºC.

Segundo a IEA, um conjunto de iniciativas políticas adicionais em mercados chave como China, Estados Unidos, União Europeia, Índia e Brasil poderia acelerar o crescimento da capacidade renovável global em até 29% até 2021. Isso colocaria todo o mundo em um caminho mais firme em direção ao cumprimento das metas globais de clima.

2015, o ano da virada

Pela primeira vez, mais da metade da nova capacidade energética adicionada à matriz mundial veio de fontes de energia renováveis, que bateram os combustíveis fósseis.

Renováveis em ascensão

O aumento na geração a partir de energias renováveis em 2015-2021 representará 60% do aumento global da produção de electricidade, mas as perspectivas variam regionalmente.

Mais participação na matriz

O crescimento das renováveis vai elevar a participação dessas fontes na matriz mundial dos atuais 23% para 28%, em 2021.

A China lidera a corrida por uma matriz mais verde

A China continua liderando o acréscimo de capacidade renovável de energia, enquanto os Estados Unidos caminham para ultrapassar a UE pela primeira vez.

Crescimento de eletricidade e energia renovável por país (em GW)

O domínio eólico e solar

Eólica e solar fotovoltaica estão compensando o crescimento mais lento das hidrelétricas, sobretudo na China e no Brasil.

Geração de eletricidade renovável por fonte

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/energia-e-sustentabilidade/pela-1-vez-fontes-renovaveis-crescem-mais-do-que-combustiveis-fosseis-bdtbs8sml9qcfrp7q5grosp02

Brookfield Energia quer duplicar participação no Brasil; aquisições estão no radar

Foco está nas nos projetos eólicos, hídricos e de biomassa; solar ainda é vista com cautela 2/3 A canadense Brookfield Energia Renovável quer duplicar sua capacidade instalada no Brasil nos próximos cinco anos, estratégia que passa tanto pela viabilização de novos projetos nos leilões de 2017 quando pela aquisição de ativos que estão disponíveis no mercado. Hoje a companhia conta com 1,5 GW em empreendimentos operando ou em desenvolvimento no país. “A nossa ambição é duplicar a capacidade que a gente tem, num horizonte de até cinco anos no máximo”, disse o vice-presidente da Brookfield Energia Renovável, André Flores, em entrevista exclusiva à Agência CanalEnergia após participação no 4º Encontro Nacional de Consumidores Livres em São Paulo. “A gente adquiriu recentemente na Colômbia uma empresa que foi privatizada que tem 3 GW de capacidade instalada. Então na América Latina a gente é maior na Colômbia do que no Brasil, o que não faz sentido dado ao tamanho do mercado”, justificou. Tradicionalmente, o grupo canadense aposta na aquisição de ativos operacionais para ganhar mercado. Dois terços dos ativos da companhia foram comprados de terceiros. Flores afirmou que a Brookfield tem buscado oportunidades no mercado de energia brasileiro. “Temos uma ambição de crescimento muito grande e a aquisição sempre é uma maneira mais rápida de crescer”, disse. “Temos olhado com bastante atenção todas as empresas disponíveis no mercado. Não temos nada para ser anunciado nos próximos meses, mas temos alguns processos em andamento”, completou. No Brasil, a empresa está construindo três pequenas centrais hidrelétricas e uma usina a biomassa. Uma das PCH vai entrar em operação ainda este ano e os demais projetos ao longo de 2017 e 2018. O executivo disse que outros projetos estão sendo preparados para ser inscritos nos leilões de 2017, principalmente de fontes eólica e hídrica. A Brookfield também está estudando oportunidades no segmento solar fotovoltaico. “É um mercado que a empresa está entrando de uma forma internacional. Criamos uma área de energia solar no exterior que tem inclusive trabalhado junto com a gente no Brasil para analisar as oportunidades”, disse Flores. Contudo, ele esclarece que ainda não é o momento de a companhia entrar nesse mercado. “No Brasil, é uma indústria bastante incipiente. A gente viu o governo fazer alguns leilões, mas a gente tem dúvida sobre que empresas vão fabricar painéis aqui e como será a financiabilidade disso. A gente está acompanhando com bastante atenção, não num ponto de fazer investimento nesse momento, mas num investimento futuro no médio prazo.”

– Agência CanalEnergia – 20/10/2016