Fusões e aquisições se recuperam com venda de ativos Petrobras

As fusões e aquisições estão finalmente ensaiando uma recuperação no Brasil e registraram aumento de 35% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2015, para US$ 16,6 bilhões, impulsionadas por uma série de negócios no setor de energia envolvendo a Petrobras.

Ainda mais surpreendentes foram os US$ 11,1 bilhões em operações nas quais empresas estrangeiras compraram ativos brasileiros, de acordo com dados compilados pela agência de notícias Bloomberg.

Segundo essa medida, a atividade praticamente quadruplicou em relação ao mesmo período do ano passado, melhor resultado registrado desde o último trimestre de 2013.

A Petrobras precisará cumprir seu programa de venda de ativos para que o crescimento no mercado de fusões e aquisições no país continue.

A gigante do setor de energia, que vem tentando reduzir a maior carga de dívida da indústria do petróleo, foi responsável por mais de um terço da atividade total com suas vendas de ativos nos últimos três meses.

A companhia apresentou o plano de desinvestimentos há mais de um ano, mas até recentemente havia fechado apenas algumas transações. A Petrobras planeja obter US$ 19,5 bilhões por meio de desinvestimentos em 2017 e 2018.

“M&A é um produto de confiança”, diz Hans Lin, chefe do banco de investimento do Bank of America no Brasil. “Ninguém quer segurar uma faca caindo. Aí, quando as coisas se estabilizam um pouquinho, as pessoas tomam as decisões.”

De certa forma, o terceiro trimestre foi a crônica de uma recuperação anunciada nas fusões e aquisições.

O argumento para o salto estava presente havia meses: as empresas brasileiras, abatidas pela recessão e pelos baixos preços das commodities, estavam desesperadas para vender ativos, que se tornaram relativamente baratos para estrangeiros com dólares devido à forte desvalorização do real.

Contudo, embora empresas de investimentos como a Advent International e a Brookfield Asset Management tenham exaltado as oportunidades no Brasil, muitos potenciais compradores hesitaram, aparentemente inseguros em relação a quanto mais a moeda e a economia cairiam.

Agora, a melhora do sentimento e a estabilização do real mudaram a dinâmica, assim como a política do País.

Michel Temer, que se tornou presidente formalmente após o impeachment de Dilma Rousseff, no mês passado, convenceu muitos investidores em Wall Street de que será capaz de acabar com o impasse no Congresso e conseguir apoio para os cortes de gastos necessários.

O Brasil continua em recessão, mas os economistas projetaram em uma pesquisa do BC que a economia se expandirá 1,3% no ano que vem.

O real registra valorização de 22% em 2016 após a depreciação do ano passado, quando teve sua quinta queda anual. A volatilidade implícita do real em um mês, um indicador de incerteza, caiu para abaixo do registrado por diversos pares regionais. Em 2015, o real teve o pior desempenho entre 16 moedas importantes, com um declínio de 33%.  De Bloomberg –  Jonathan Levin, Sabrina Valle e Cristiane Lucches